Como Fazer Uma Investigação de Acidente de Trabalho

Tempo de leitura: 9 minutos

No artigo de hoje você vai aprender como fazer uma investigação de acidente de trabalho.

Fazer uma investigação de acidente de trabalho nunca foi uma coisa legal, afinal de contas, se o acidente de fato ocorreu, houve uma falha.

O Técnico de segurança muitas vezes acaba levando a culpa, afinal de contas, ele existe justamente para ajudar a empresa a evitar que esses tipos de acidente aconteçam.

Mas é bom salientar aqui que, é quase impossível conseguir evitar todos os acidentes, mesmo que o mesmo ocorra por causa do empregado.

Por isso, trouxemos aqui tudo o que você precisa saber para fazer uma boa investigação de acidente de trabalho.

Vamos lá?

Como Fazer Uma Investigação de Acidente de Trabalho

Como Fazer Uma Investigação de Acidente de Trabalho

Qualquer investigação de acidente, deve ocorrer através da SESMT (assim como se consta na NR 4 no item 4.12, dentro da letra H) se a empresa tiver.

Ou a investigação de acidente deve ocorrer através de CIPA, assim como está constando na NR 5, no item 5.16, letra “L”.

Para que a investigação ocorra, algumas etapas importantes devem ser seguidas:

Passo 1 – Saiba Como é a Atuação do Local:

Não existe a possibilidade de você conseguir saber como que ocorreu e onde está o erro do acidente de trabalho se você não sabe como é a função desenvolvida.

Assim, é muito importante que a equipe que vai investigar o acidente descubra como o trabalhador consiga se locomover, quais são os movimentos necessários para executar o trabalho e etc.

Tudo isso é importante para se fazer um bom trabalho.

Outro item muito importante que devemos mencionar aqui é a importância de ter o chefe do setor do qual aconteceu o acidente pronto para ajudá-lo.

Caso você consiga, envolva até mesmo a CIPA dentro da sua investigação.

Passo 2 – Levante Todos os Dados Necessários do Ambiente

Para que você consiga fazer um bom levantamento de dados, você irá precisar ser bastante eficiente.

Investigação de Acidentes de Trabalho

Assim, para começar, tente ser o primeiro a chegar ao local que aconteceu o acidente.

Quando você chega primeiro que terceiros ao local, você consegue de forma clara, um ambiente livre sem nenhuma alteração.

É claro que isso pode contribuir e muito na hora de você conseguir descobrir o que de fato aconteceu de errado no local.

Lembre-se de anotar tudo o que você considerar como adequado e importante.

Passo 3 – Tente Entrar em Contato Com as Pessoas

Para que você saiba exatamente o que aconteceu, você irá precisar também entrar em contato com as pessoas envolvidas.

As pessoas das quais você deve conversar devem ser tanto as que foram as vítimas, como também as pessoas que somente viram o acontecido.

Lembre-se que a entrevista precisa ser informal e aberta.

Não seja rígido, você pode deixar as pessoas nervosas.

É claro que o primeiro contato deve ser de forma particular.

Caso seja necessário falar com mais pessoas, não se acanhe e fale.

Como Investigar Acidentes de Trabalho

Entenda que esse tipo de busca por informações demore dias.

Isso não é incomum.

É importante que você deixe claro que o principal objetivo não é punir ninguém e nem ao menos encontrar o culpado, mas sim descobrir o que fez com que o acidente aconteceu e evitar que eles aconteçam novamente.

Enquanto estiver falando com as pessoas, tente encontrar os detalhes da situação.

Caso veja as convergências nas palavras, leve a testemunha ao local do acidente e tente saber onde a vítima estava e a testemunha.

Caso o acidente envolva também uma de materiais ou da vítima, tente saber a altura exata e o peso que caiu.

Durante a investigação do acidente, deve-se tomar alguns cuidados básicos:

  • Faça com que o acidentado se sinta à vontade
  • Se possível, conduza a investigação no local do acidente
  • Permita que acidentado descreva a sua versão do acidente (Não interrompa a sua descrição)
  • Pergunte tudo o que for necessário
  • Repita a versão do acidentado para checar que você a entendeu
  • Termine a investigação com um comentário positivo, discutindo possíveis planos de ação.

Notou que quanto maior o detalhe, melhor é, não é mesmo?

Depois de colher todas as informações, acredito que você já possa saber onde está o erro e porque o acidente foi causado.

Passo 4 – Tente Fazer os Exames Médicos Cabíveis

Depois de adquirir todas as informações capte todas as informações médicas e os exames feitos para saber sobre a gravidade da lesão sofrida e o local onde aconteceu o acidente.

Passo 5 – Foque no Relatório Final

É primordial que o relatório do acidente seja pequeno e sem termos técnicos que possam confundir as pessoas que irão ler.

Nele é precisa constar:

– Como ocorreu o acidente; (Lembre-se de mencionar os detalhes que você colheu)

– Quantas pessoas estão envolvidas no acidente;

– Se havia testemunhas, descreva o que elas disseram.

– Fale um pouco sobre o ambiente de trabalho.

– Quanto tempo o trabalhador já tinha exercido o trabalho naquele dia.

– Mencione se o acidentado tomava algum tipo de remédio e qual seria ele.

Deve-se tentar descrever o incidente/acidente da maneira mais precisa possível, indicando QUEM, O QUE, COMO, QUANDO e ONDE. A descrição do acidente/incidente “NÃO é uma simples repetição do que foi dito pelo acidentado”.

Deve-se descrever também os tipos de ferramentas ou equipamentos, materiais e produtos químicos envolvidos.

Passo 6 – Está na Hora de Apontar os Erros

Depois de encontrar o problema e como ele aconteceu de fato, está na hora de você encontrar uma solução cabível e que para isso não se repita mais o mesmo tipo de incidente/acidente.

As causas básicas mais comuns são descritas abaixo:

a) Falta de Conhecimento ou Treinamento Inadequado

O funcionário não tem a habilidade ou conhecimento para executar o trabalho com segurança.

Exemplos:

  • Pessoa dirigindo empilhadeira sem ter recebido treinamento;
  • Pessoa operando máquinas sem ter sido treinada.

b) Cargo Inadequado do Funcionário

O funcionário não é capaz de fazer o trabalho com segurança por faltar-lhe condições físicas ou emocionais. Exemplo:

  • Operador de empilhadeira com problemas auditivos ou visuais;
  • Pessoa com problemas de coluna levantando carga excessiva.

c) Práticas Seguras Não Cumpridas

As práticas seguras existem mas não são seguidas.

Exemplos:

  • Colocar as mãos em máquinas em movimento;
  • Fumar em local com sinalização de Proibido Fumar.

d) Projeto Inadequado

O projeto de uma determinada máquina ou equipamento ou até mesmo área de trabalho não foi considerado itens básicos de segurança ou fatores humanos (ergonômicos).

Exemplos:

  • Guardas de proteção inadequadas ou ausentes;
  • O funcionário torceu o pé pois tem que descer a cada minuto um degrau de 50 cm.

e) EPI Inadequado

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) não foram fornecidos ou são inadequados.

Exemplos:

  • Luvas de pano para manusear produtos corrosivos;
  • Capacetes de alumínio para eletricistas.

f) Inspeção/Manutenção Inadequada

Equipamentos críticos ou de proteção não são bem mantidos ou as inspeções são ineficazes.

Exemplos:

  • Guardas de proteção em estado precário;
  • Empilhadeiras sem freio;
  • Máquinas com fios elétricos descascados.

g) Compra Inadequada ou Inferior

Não existe um sistema para assegurar que os equipamentos/materiais comprados cumpram sua função com segurança.

Exemplos:

  • Cabos de aço de qualidade inferior quebraram e causaram um ferimento no pé de um funcionário.

h) Recompensa Inadequada (Incentivar Insegurança)

O sistema de recompensa e reconhecimento não incentiva formas seguras de trabalho.

Exemplos:

  • O funcionário estava com pressa de terminar uma manutenção e acabou se machucando com uma ferramenta.

i) Método Inseguro

O procedimento adotado como correto mostra uma falha que pode levar a incidentes/acidentes.

Exemplos:

O procedimento indica o uso de uma chave de boca e o funcionário se machuca ao utilizá-la; a chave mais segura para aquele tipo de trabalho seria uma chave estrela.

Tente acompanhar as correções sugeridas de perto, assim, saberá se ela de fato aconteceu ou não.

Porém, não deixe de ouvir outras opiniões sobre o acontecido.

Aliás, mesmo que você tenha descoberto o que aconteceu você não sabe de tudo, e precisa dar abertura para outras pessoas falarem.

Conclusão

Seguindo esses seis passos, é quase impossível que você não irá conseguir fazer uma investigação de acidente de trabalho de forma eficiente.

Toda investigação de acidente deve ser realizada o mais rapidamente possível, para se aproveitar que os detalhes estão “claros” na memória. Recomenda-se um prazo máximo de 72 horas (para finais de semana).

Para que essa investigação seja concluída de uma forma qualitativa, é crucial que você faça o formulário de investigação de acidente.

Então, deixaremos abaixo para que seja ainda mais fácil para você desenvolve-lo.

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